“As diferenças são o que dão sabor às relações”. Essa é uma resposta comum quando se há um atrito entre um grupo de pessoas. Ideias diferentes, pontos de vista diferentes e mesmo preceitos morais diferentes levam um grupo de uma educada exposição de pontos de vista à uma acalorada discussão. O tal sabor dado pelas diferenças estimula um bom debate, mas também pode gerar as famosas “diferenças irreconciliáveis” que levam um casal a separar, conflitos armados no Oriente Médio e ao preconceito racial (velado como aqui no Brasil). Mas seriam realmente as diferenças as culpadas por tantos desentendimentos? Como uma sociedade que consegue unir suas diferenças e transformá-las em um adocicado sentido da vida, consegue ao mesmo tempo transformá-las no lado mais amargo da vida de muitos cidadãos?
Difícil saber quando começamos a elucidar sobre o que temos e o que não temos em comum com as pessoas que nos rodeiam. Talvez esses conflitos psicológicos nasçam um pouco depois da pré-escola, naquela fase em que a criança começa a escolher como amigo o garotinho com o maior número de carrinhos. A criança cresce em seu domo, conhecendo apenas seu mundo e acreditando que ‘seu’ mundo é o mundo padrão. Ledo engano. Ao tornar-se adolescente, a alienação continua e em algum momento criou-se o nome “bullying” para todo o ato de crueldade cometido com aquele que sofre por ser diferente do padrão, seja o mais gordinho, seja o nerd, seja o com sotaque diferente. Identificar o bullying é bom, mas ainda é muito pouco uma vez que seu combate só abrange aquele minúsculo círculo e resolve aquela ínfima parte do problema social que nós temos. Não resolvemos um terço do problema de preconceito que a sociedade acredita ter, isso sem contar o que ela realmente tem porém esses são os primeiros passos em direção ao convívio harmônico.
É uma complicada missão, a de aceitar ideias e modelos que os que se opõe aos criados por nosso próprio sistema nervoso. Questões históricas como os conflitos que permeiam o Oriente Médio são um caso muito comum ao se falar de diferenças que ultrapassam a barreira da comodidade do círculo de amigos. Esses conflitos separam famílias, matam pessoas e certamente levarão anos a serem resolvidos. Veja o caso de Israel e Palestina. Antes mesmo da questão diplomática é preciso pensar nas duas populações que cultivam o ódio uma pela outra há muitos anos e não são incentivadas por seus governantes a procurar conhecer a cultura de seu "inimigo" e nem seus motivos. Será que existiriam esses conflitos se eles buscassem se conhecer? Ou mesmo se houvesse um incentivo mínimo dos seus respectivos governantes à tolerância?
A tolerância precisa ser cultivada dentro da família, escola e desde a infância. Como já foi citado nesse texto, é na infância que começamos a descobrir quem somos, por isso, devemos mostrar a nossas crianças que as diferenças estão no mundo para que se haja um troca de experiências rica que proporcione a cada um ganhos. Não devemos esquecer que no mundo atual a tolerância é fundamental para obtermos sucesso no trabalho, em relacionamentos afetivos e em relações de amizade. A tolerância é o caminho para que cada um tenha a liberdade de ser o que é, gostar do que gosta e viver do jeito que vive seja judeu, árabe, branco, negro, homossexual, heterosexual, goste de rock, goste de pagode, viva no Brasil ou nos Estados Unidos.
guns ain't roses
sexta-feira, 17 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Análise antropológica das muletas

...Ou minha semana engessada
Venho declarando nesse blog há muito que estou ganhando minha independência aos poucos .Essa semana me vi em uma situação que está me fazendo questionar toda essa independência: estou engessada. Coisa boba, um joelho virado durante uma aula de dança e nada demais (ou assim espero). Junto do gesso que cobre minha perna direita inteira (e as muitas obras de arte nele inscritas), vieram as muletas. Muletas são objetos frios moldados para servirem de apoio quando você não consegue andar sozinho. Muleta é uma ajuda inesperada quando você não consegue carregar seus livros e descer as escadas. Muleta é um sorriso de apoio bobo.
Foram as muletas que me fizeram questionar tudo. Passei dois dias inteiros pedindo incessantemente por muletas e acreditanto que elas seriam a solução do meu problema. Achei que minhas muletas representariam novamente a independência de andar de um lado para o outro, mas me enganei. Minhas muletas físicas mal me ajudam a chegar até o banheiro e na verdade, não me libertaram das minhas muletas humanas. Sem minhas muletas humanas, eu nada seria.
Por isso essa semana pensei muito em como é maravilhoso ser 'independente' para fazer coisas simples como sair do inglês e voltar ao colégio sozinha e fiquei imaginando também como é dura a realidade das pessoas que sofrem com isso permanentemente. Também pensei em como é bom ter amigos e familiares sendo minhas muletas humanas nessa situação. Fico pensando se eu faria o mesmo se eles estivessem na minha situação.
No mais, obrigado a minhas muletas humanas e espero não precisar mais de muletas físicas de novo.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Como nossos pais
Estou crescendo. Aquelas últimas amarras que eu tinha com a infância estão se desfazendo aos poucos e eu não tenho controle sobre isso. Antes, eu lidava menos com meus próprios sentimentos e os jogava no mundo, agora percebo que a tendência é que eu guarde para mim o que tenho de mais profundo. Ou o que não tenho.
Me vejo independente ou estou vivendo isso o máximo possível. O que é triste porque tudo parece passar mais rápido, não parece que temos mais tempo para nada. Me agarro em pequenos espaços de tempo para que o mundo não me torne mais uma adulta da sociedade antes do meu tempo.
Me vejo independente ou estou vivendo isso o máximo possível. O que é triste porque tudo parece passar mais rápido, não parece que temos mais tempo para nada. Me agarro em pequenos espaços de tempo para que o mundo não me torne mais uma adulta da sociedade antes do meu tempo.
domingo, 22 de maio de 2011
O cabelo cresce...
Me segura senão eu corto assim!!!...Mas a dor passa.
Eu sou uma pessoa consideravelmente estranha. Aliás, inteiramente estranha. Tenho umas obsessões loucas e vivo criando apostas com minha própria mente, metas loucas e em geral estou sempre pensando demais no futuro. Me declaro culpada, sou mesmo obcecada por planos e por controlar tudo que está à minha volta, tudo que está acontecendo. Isso invariavelmente me torna uma pessoa de díficil convivência. E minha mais recente meta (tirando passar no vestibular e comer só uma unidade de chocolate por dia) é a deixar meu cabelo crescer.
Explicação: eu tenho mania de mudar meu cabelo cada vez que meu humor muda. Mentira, eu sempre quero fazer alguma coisa louca com meu cabelo toda vez que eu acho que minha está sem graça.
Em 500 Dias com Ela escutei que Summer ficava impressionada com a facilidade que podíamos cortar os cabelos e que depois eles cresciam ou algo assim. Eu me impressiono quando penso que na verdade, os cabelos são uma das poucas coisas da vida que nós temos controle real e eu me sinto dona do meu próprio nariz quando mando cortar curtinho porque eu gosto de cabelo curto.
Então, por que controlar a vontade de cortar? Porque eu me arrependo fácil das coisas que eu faço rs.
Mas recomendo a cabeloterapia.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O que aprendi aos 16 anos

Para não perder a tradição...
Esse texto vai ser quase uma párafrase do que foi ano passado. Tornei a aprender sobre amizade, amor e mais uma vez tive lições sobre persistência e sobre como (não) estudar. A diferença é que em maio do ano passado, eu não sabia nada sobre mudanças e no ano que passou elas sairam do papel para tornarem-se realidade e agora eu posso falar com propriedade sobre elas. E na certa, ano que vem, eu vou dizer o mesmo.
Em um ano: fiquei solteira, cortei o cabelo curto, pintei o cabelo, aprendi a tocar violão, não fiz brinco nenhum, viajei para os Estados Unidos, fiquei de recuperação final pela primeira vez na vida, aprendi a cozinhar, aprendi a estudar, comecei a dormir menos de seis horas por dia, decidi o que fazer para o resto da minha vida (ou na faculdade haha), comecei a dançar, comecei a correr, vi o Iron Maiden ao vivo e não vi o Paul, baixei a discografia do Foo Fighters, comecei a simular, virei amiga de pessoas do sexo feminino, mas descobri que não adianta nada porque minha sina é ser amiga de homens; perdi oito quilos e os ganhei de novo com muito esforço, parei de ler quarenta livros por ano e de escrever em diários; escrevi no blog e parei, fiz uma coleção de séries. Me apaixonei, quebrei a cara, tomei minha primeira bezetacil e não chorei, tomei a segunda e chorei, comecei a odiar. Tive experiências grandes do amor de Deus em minha vida e rezei muito para que Ele me abençoasse e Ele me concedeu tudo que eu precisava. Desisti de tocar violão. E agora quero tocar novamente.
E que venham os dezoito anos!
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